O relato hoje é da Camila, que convive com a bulimia há mais de uma década e nos conta como o transtorno alimentar afetou sua vida. Dá uma olhada:

O dicionário define bulimia como: ‘Distúrbio alimentar caracterizado pela ingestão excessiva de alimentos, pelo aumento exagerado de apetite e pelo sentimento de descontrole alimentar; as pessoas com bulimia comem em excesso e, geralmente após as refeições, induzem o vômito.”

Para mim essa simples palavra significa muito mais. Eu convivo com essa doença há 14 anos, metade da minha vida, é tanto tempo que eu nem sei mais como é ser “normal”. E quando eu digo normal, quero dizer que eu não sei o que é viver sem me preocupar com o que vou comer, se comi demais ou de menos, se engordei, se em um determinado lugar vai ter comida, se o que eu estou comendo vai me fazer engordar, se é calórico demais, gorduroso demais, etc, etc, etc.

Minha vida gira em torno da comida, ou eu estou comendo pouco e restringindo diversos alimentos porque quero emagrecer, ou eu como demais e acabo me culpando e entrando em pânico porque vou engordar, e aí vomito. E esse ciclo se repete semana após semana, ano após ano.

E não é só isso! Eu passei a evitar sair para lugares onde sei que vai ter comida, eu perdi a vontade de comemorar qualquer coisa (aniversário, Natal, etc) porque toda comemoração envolve comida, e eu evito conversar com as pessoas sobre o assunto, porque eu sempre acho que as pessoas vão me olhar diferente se souberem que eu sou bulímica.

Eu acredito que seja muito importante que todo mundo conheça mais sobre essa doença e não pense que quem tem bulimia é necessariamente magro, isso é um mito! O mais importante: não julgue os outros pela aparência física, pois ninguém sabe o que o outro pode estar passando.

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