Ultimamente, tenho visto várias amigas, conhecidas e até pessoas que não conheço discutindo sobre todo esse excesso de regras e condicionamento que nos é enfiado goela abaixo em relação a nosso corpo, aparência física e autoestima. E a opinião é unânime: não aguentamos mais nos sentir sufocadas em motivos para nos odiar, questionar nossa beleza e valor e estamos cansadas de viver como hamsters correndo em uma roda que não sai do lugar. Já deu, né?!

Então, resolvi fazer esse texto, que é meio diálogo, meio desabafo, só para te lembrar que tá tudo bem! Tudo bem querer ser mais magra, tudo se preferir ter mais curvas, OK se seu objetivo é ser toda musculosa e participar de competições de modelos fitness. Tudo bem ser gorda e felizcom seu manequim 50, tudo certo também não estar realmente preocupada com seu físico, tudo bem ter uma aparência “normal”, nem magrela, nem gordinha: tá tudo bem! 

Como você tem se encarado?

Você é a única responsável pela sua aparência, então nada mais justo do que você decidir a forma como prefere que ela seja! Não faz mal algum querer perder uns quilinhos, colocar silicone, tonificar os músculos ou ter curvas mais acentuadas.

O que não é OK é se mutilar por isso, se olhar no espelho e não ver nada além de defeitos, negligenciar a saúde física e mental nessa busca. O que não está tudo bem é colocar sua felicidade totalmente atrelada a isso, achar que seu corpo se resume ao externo e se torturar constantemente por objetivos que não foram motivados pela sua vontade, mas por alguma pressão social ou familiar ou qualquer lugar que não seja aí dentro!

E quando falo que não é OK, não quero dizer que é inadequado ou errado, nem te apontar o dedo e ordenar “não faça mais isso”, como se fosse fácil assim mudar do dia para a noite. Digo isso para que se recorde do quanto de si você esquece e deixa pra trás enquanto se impõe absurdos!

Eu não estou em um lugar muito diferente. Às vezes, também pareço condenar minha própria beleza, abro mão da auto confiança, foco no corpo e esqueço do resto. Também vejo meninas maravilhosas no Instagram e sinto uma ponta de inveja, que me faz praticar um pouco de auto depreciação também. Nós fazemos isso, não prestamos atenção ao que dizemos a nosso respeito, damos gargalhas irônicas se alguém elogia nossa aparência e nos sentimos culpadas se, em algum momento, nos sentimos satisfeitas ao nos olharmos no espelho.

Pare um minuto para refletir se você diria para sua melhor amiga o que diz sobre si… E não venha com “ah, mas ela é linda mesmo” ou “ah, o corpo dela é realmente escultural” – imagine ela te dizendo que detesta a própria aparência, que se acha horrível e se odeia, você diria algo para fortalecer essas ideias ou tentaria fazê-la mudar de ideia? E por que é que não consegue fazer isso consigo mesma?

Corpo X aparência física

Outra coisa que acho importante te lembrar é que seu corpo não é só sua aparência física!

Se eu te perguntar o que você mudaria no seu corpo agora, você provavelmente me diria algo relacionado ao seu peso, altura, ou medidas de coxas, seios, bumbum.. Não te julgo, minha primeira resposta foi algo nesse sentido. Mas seu corpo vai muito além disso – você poderia ter pedido uma visão melhor, um estômago saudável (e livre das suas gastrites), poderia pedir um olfato mais apurado ou uma memória mais potente, mas o fato é que esquecemos que corpo é o todo, que vai além do externo!

O que acha de começar a encarar seu corpo de forma separada da aparência? Afinal, o que fazemos no fim das contas é criticar uma “máquina” genial porque o design “não é assim tão bom”. E o pior, prejudicamos ambos para que o externo fique “melhor”.

Uma dose de cuidado

Por último, eu quero dizer que tá tudo bem se você não está totalmente satisfeita com sua aparência. É OK querer mudar coisa X ou Y, contanto que se lembre de respeitar os próprios limites. O que não pode é se odiar durante o processo!

Não digo que você precisa acordar amanhã se achando a oitava maravilha do mundo e que nem Queen-B seria páreo pro seu poder, mas uma dose de auto respeito com tudo aquilo que você é e auto cuidado para se recordar frequentemente disso pode fazer maravilhas! Tenho tentado fazer isso e me ajuda bastante, talvez você consiga os mesmos resultados.

Quando você pensa em alguém que ama, você não a ama por que o cabelo dela é incrível ou por ter um abdômen sarado, mas por mil motivos que não passam nem perto da aparência dela. Não tem nada de errado em se amar também. 

E lembre-se: você não precisa mudar para ser amada por ninguém, e isso inclui você mesma! Alta, baixa, gorda, magra, malhada, flácida, cabelo longo ou curto, bumbum durinho ou não, você é um mulherão da p*rra por centenas de motivos que nada tem a ver com seu externo. E também tá tudo bem você estar totalmente satisfeita com seu físico e querer se orgulhar e mostrar pra todo mundo, então tá liberado foto de biquíni, sim, independente da forma que seu corpo tem!

“Numa sociedade que lucra com nossa insegurança, gostar de si mesma é um ato de rebeldia”. Vamos começar essa revolução juntas?

 

One Comment

Leave a Reply